Sei que muita gente vai me crucificar e me chamar de besta, que não tem espírito de brincadeira e talvez até me xingar de verdade, mas é necessário chamar a atenção para isso. Durante esta última década, venho observando o aumento dos chamados “trotes” no Ceará, e posso falar da Universidade Federal de Ceará, mas creio que a maioria siga o mesmo caminho. Quando um aluno recém-ingresso via vestibular ou SiSU, como foi este ano, vem para se matricular, os veteranos vem com latas de tinta, confetes e glitter para jogar no aluno e assim fazer o que podemos chamar de iniciação. Com certeza muitos novatos não verão problema em participar disso caso achem divertido. Se você não vê problema em participar, tudo bem, não falo nada. Mas o problema acontece quando o recém-ingresso não deseja participar do trote.

Nesse caso, o correto é que mesmo ao anunciar que não deseja participar da brincadeira, os “troteiros” a praticam mesmo assim. E se o novato for mais enérgico ao reiterar seu desejo de não participar, será taxado de grosso e “boçal”. Isso foi o que ouvi de outros veteranos da UFC que planejavam aplicar trotes aos novatos de seu curso. No entanto, a grosseria parte deles, por não respeitarem o desejo do outro. Estive no Campus do Pici no dia da matrícula, e houve momentos em que vi alunos novatos derrubados no chão por um grupo de veteranos e receberem um banho de tinta e confete. Outro grupo esperava os recém-matriculados na porta de saída para realizar a sua “iniciação”, caso ainda estivessem limpos. Quanto a isso a Universidade deveria tomar providências para permitir que aqueles que não quisessem passar pelo trote pudessem sair por outra porta, sem que os troteiros pudessem alcançá-los.

Esse tipo de diversão talvez não machuque ninguém, mas pode ser daquela área que limita a diversão e o exagero. Hoje é tinta e confetes, amanhã pode ser álcool, veteranos estuprando novatas e até mesmo morte. Muitos dirão que estou sendo exagerado e até louco, que existe muita distância entre um trote inocente como esse e algo mais violento, mas também existem grandes distâncias entre apreciar bebidas alcoólicas socialmente e ser um alcoólatra, mas basta um deslize para que isso aconteça. Então fica o recado, tanto para a Universidade tomar mais cuidade com os troteiros, como para os troteiros respeitarem a vontade de quem não quer participar.