SEMINÁRIO do DEPARTAMENTO de FÍSICA – DE COPÉRNICO A KEPLER:DA REVOLUÇÃO ASTRONÔMICA AS LEIS DAS ÓRBITAS

•Novembro 26, 2009 • Deixe um comentário

Título: “DE COPÉRNICO A KEPLER:DA REVOLUÇÃO ASTRONÔMICA AS LEIS DAS ÓRBITAS”

Palestrante: Prof.Dr.Ronaldo Rogério Mourão – Observatório Nacional (RJ)

Data: 02/12/2009, (quarta-feira)

Horário: 16h
Local: Sala de Seminários, Bloco 926.

Josué Mendes Filho
Chefe do Departamento de Física
Universidade Federal do Ceará

CARTA ABERTA À COMUNIDADE UFCEANA E AO REITOR DA UFC

•Outubro 28, 2009 • Deixe um comentário

O Bloco 922 no Campus do Pici abriga as Secretarias dos cursos de graduação  (bacharelado e licenciatura) e de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) em Física, a secretaria do Departamento, a Biblioteca Setorial de Física, três laboratórios e treze gabinetes de professores. Nesse bloco existiam cinco banheiros, um dos quais para pessoas com necessidades especiais. Existiam cinco banheiros… Esse é o tempo correto do verbo. É necessário, portanto, que se afirme que a comunidade (estudantes, funcionários e professores) instalada no Bloco 922 está sem banheiro há mais de um ano. Explico, para que vocês apreendam o ridículo da situação. Quando candidato a Reitor, o saudoso Professor Ícaro aquiesceu com a reforma do Bloco 922, que consistia na construção de sala de reuniõese gabinetes para professores. A reforma foi iniciada com o Prof. Ícaro na Reitoria e, e na ocasião discutiu-se a possibilidade dos banheiros
do térreo continuarem funcionais e serem a última etapa da reforma. Como foi asseverado que essa reforma seria rápida, rapidíssima, os cinco banheiros foram quebrados. Na campanha para Reitor que sucederia o Prof. Ícaro, a continuidade e conclusão da reforma do Bloco 922 foi asseverada. Contudo, poucos meses após a posse do novo Reitor da UFC a reforma do Bloco 922 foi interrompida. Novo alento e esperança de ver os banheiros de volta ao dia-a-dia do Bloco 922 chegou com a visita do Reitor da UFC ao Departamento de Física, ocorrida no dia 12 de agosto próximo passado – nova asseveração de continuidade e conclusão da reforma. Finalmente – muitos acreditaram – a volta dos banheiros para gáudio da comunidade do Bloco 922. Porém, já se passaram mais de dois meses da visita do Reitor e nem um único prego foi colocado no Bloco 922, muito menos um vaso sanitário. A única explicação para tamanho desrespeito é a falta de recursos financeiros, pois qualquer outra explicação será ignóbil. Finalizo ponderando que a falta de banheiro é mais constrangedora para as mulheres que para os homens, ao mesmo tempo em que clamo por banheiro, que
é uma necessidade básica ao ser humano.

José Carlos Parente de Oliveira
Professor Associado II – Departamento de Física – UFC

Sobre o Prêmio Nobel

•Outubro 15, 2009 • Deixe um comentário

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Que prêmio Nobel explicou a física quântica da radioatividade, postulou a versão moderna do Big Bang, propôs que as estrelas brilham por causa de reações termonucleares e descobriu o conceito do código genético? Nenhum. A pessoa existiu – chamava-se George Gamow -, mas não recebeu o prêmio. Nem o de física nem o de medicina.

Tampouco o recebeu Dimitri Mendeleyev, cuja tabela periódica decora as escolas de todo o mundo; nem Oswald Avery, que demonstrou que o DNA é a molécula portadora da informação genética; nem Lise Meitner, descobridora da fissão nuclear; nem Julius Lilienfeld, criador do transistor; nem George Zweig, codescobridor dos quarks. Esse é apenas o início de uma longa lista de ilustres nunca premiados com um Nobel de ciências.

E fora das ciências é ainda pior. O pacifista mais célebre do século 20, Mahatma Gandhi, não recebeu o Nobel da Paz, diferentemente de Henry Kissinger ou Yasser Arafat. E o de literatura teve de realmente afinar a pontaria para não cair em Leon Tolstói, Anton Chekov, Franz Kafka, Marcel Proust, James Joyce, Henry James, Vladimir Nabokov, Graham Greene ou Jorge Luis Borges, para citar só os mortos.

No entanto, o Nobel continua sendo o prêmio mais prestigioso que um intelectual deste planeta pode receber. E seu prestígio não se deve à tradição – por que teria o mundo que respeitar uma tradição sueca? -, mas a seu exaustivo mecanismo de seleção. Os prêmios que conhecemos nesta semana são o resultado de um ano de investigação sobre os candidatos.

A Real Academia Sueca de Ciências (que concede os prêmios de física, química e economia), o Instituto Karolinska (medicina), a Academia Sueca (literatura) e o Comitê Nobel Norueguês (paz) convidaram em outubro do ano passado – como fazem todos os outonos – 6 mil especialistas de todo o mundo para apresentar as nomeações (nunca de si próprios).

São cerca de mil especialistas por prêmio, entre eles os agraciados anteriormente em cada área, e o resultado costumam ser cem ou 200 indicações ao todo. Os seis comitês Nobel, um por prêmio, começaram a selecionar essas nomeações em fevereiro, e só acabaram há algumas semanas. Durante esse processo consultam muitos especialistas externos, e daí costumam vir os rumores sobre a identidade dos premiados, em geral escassos e pouco confiáveis.

Uma seleção desse tipo garante que todos os premiados merecem sê-lo – em ciência houve poucas concessões controvertidas -, mas não que todos os merecedores sejam premiados. Portanto, é lógico que a maioria das decisões polêmicas da academia o tenham sido sobretudo por ausência. Ou por atraso, que só difere da ausência na longevidade do candidato. Mas o certo é que cada caso é um mundo.

Uma categoria minoritária de não premiados são os que o físico britânico John Gribbin chama de “os visionários”. São “mais importantes que os prêmios Nobel”, segundo Gribbin. O paradigma é o próprio Gamow, citado no primeiro parágrafo. Sua influência na ciência é incalculável, embora também no sentido literal: não se pode calcular. São ideias, avistamentos, pautas. Seu alcance se deve a como estas influíram em outros cientistas, e o Nobel costuma ir para estes.

Gamow nasceu em Odessa quando fazia parte do Império Russo e estudou física em São Petersburgo quando se chamava Leningrado, mas trabalhou toda a sua vida em Göttingen, Copenhague, Cambridge e Boulder (Colorado, EUA). Em 1948 ele propôs com Ralph Alpher a teoria do Big Bang. Outros físicos haviam especulado antes com a ideia, mas foi o artigo de Alpher e Gamow que permitiu demonstrar o Big Bang 15 anos depois.

Como os nomes Alpher e Gamow parecem “alfa e gama”, Gamow não pôde resistir a buscar um beta para arredondar o artigo. Encontrou-o logo, em um dos grandes físicos teóricos do século 20, Hans Bethe, a quem convenceu a assinar o trabalho apesar de sua contribuição nula. O histórico artigo “A origem dos elementos químicos” saiu, portanto, assinado por Alpher, Bethe e Gamow, para satisfação deste último. Bethe pelo menos recebeu o Nobel, embora por outra coisa.

James Watson e Francis Crick descobriram a dupla hélice do DNA em 1953. Pouco depois de ter publicado a descoberta na revista “Nature”, receberam uma carta de Gamow, que não conheciam. O físico propunha ali o primeiro modelo de um código genético: uma linguagem que traduzia a ordem linear das letras do DNA – recém-descoberto pelos destinatários da carta – em outro tipo de sequência: a fileira de aminoácidos que constitui as proteínas. Seu modelo concreto era incorreto, mas o conceito de código genético foi capital.

Thomas Edison patenteou 1.093 invenções, entre elas o fonógrafo, o alto-falante e o microfone do telefone, as peças chaves do cinematógrafo, o primeiro gerador eficaz e um modelo de ferrovia elétrica. E a lâmpada, é claro. Enquanto isso, seu colega Nikola Tesla idealizava os dínamos de corrente alternada, a transmissão da energia elétrica e a bobina de indução, o que lhe permitiu adiantar-se a Marconi na patente do rádio. Edson e Tesla foram indicados para o Nobel em 1915, mas a academia os descartou por um motivo de peso: um não podia ver o outro. Marconi tinha recebido o prêmio seis anos antes.

Durante a primeira metade do século, os experimentos em aceleradores descobriram tantas partículas subatômicas que os físicos as chamavam de “zoológico”: prótons, nêutrons, rho, delta, sigma, xi, kaons, anti-kaons, píons, centenas de partículas elementares. Em 1964, Murray Gell-Mann e George Zweig perceberam que podiam explicá-las como combinações diferentes de apenas três partículas ainda mais elementares: os quarks. Gell-Mann, que foi quem lhes deu esse nome, foi o único que recebeu o prêmio Nobel. Zweig os havia chamado de “ases”.

A maior descoberta da biologia do século 20, a hélice dupla do DNA – a chave da herança genética -, não teria sido possível sem um dado anterior essencial: que o DNA é o material hereditário. Foi Oswald Avery quem o demonstrou em 1944, e contra todos os prognósticos porque quase todos os cientistas pensavam o contrário (e a maioria continuou pensando assim mesmo depois).

Um motivo pelo qual Avery não recebeu o prêmio foi um mistério durante 50 anos, o tempo que a comissão Nobel demora para publicar suas deliberações. Hoje se sabe que o químico sueco Einar Hammarsten bloqueou sua candidatura, e continuou a fazê-lo mesmo depois que Watson e Crick descobriram a dupla hélice em 1953. Hammarsten acreditava que a informação genética estivesse nas proteínas, e sua convicção era impermeável aos dados.

Barbara McClintock descobriu os transposons – genes que saltam de um lugar para outro do genoma – em 1948 com uma série impecável de experimentos no milho. Não só demonstrou sua existência, como também que costumam alterar a atividade dos genes, e percebeu que deviam ser muito importantes no desenvolvimento e na evolução. McClintock já era reconhecida então como uma das geneticistas mais brilhantes do mundo, mas seus resultados foram recebidos com ceticismo por muitos cientistas e ignorados por muitos outros.

O resultado foi que McClintock recebeu o Nobel, mas 35 anos depois, quando já estava com 81. Pelo menos pôde se vingar no jantar protocolar em Estocolmo, com estas palavras: “Devo admitir que no início me senti surpresa, e depois confusa. Ninguém me convidava para dar aulas ou seminários, nem para participar de comitês ou tribunais acadêmicos. Mas esse longo intervalo foi uma delícia. Deu-me uma completa liberdade para continuar pesquisando por puro prazer e sem interrupções”.

Einstein ganhou o prêmio Nobel em 1921 por sua explicação do efeito fotoelétrico, um dos artigos chaves que publicou em seu “annus mirabilis” de 1905. Isto implica que sua teoria da relatividade, um dos pilares da física atual, junto com a mecânica quântica, é outro dos grandes esquecidos da academia, embora seu autor não o seja. E desta vez o motivo tem algo de paradoxal.

Einstein formulou a relatividade, também em 1905, para responder à pergunta: o que aconteceria se uma pessoa corresse tão depressa que conseguisse alcançar uma onda de luz? A pessoa veria uma onda de luz imóvel, como parece imóvel um trem que se desloca paralelamente ao nosso. Mas a velocidade da luz é uma lei fundamental da natureza, e portanto não pode parecer imóvel a ninguém.

A solução de Einstein foi aceitar os fatos e deduzir suas consequências lógicas, por mais estranhas que parecessem. A velocidade não é mais que o espaço dividido pelo tempo. Se a velocidade da luz tem de ser constante, mesmo que uma pessoa corra tanto quanto ela, é que o tempo e o espaço não o podem ser. Essa teoria de 1905 chama-se relatividade especial, e uma de suas consequências diretas é a célebre equação E=mc2 [ao quadrado], que revelou que a massa (m) e a energia (E) são duas faces da mesma moeda, e que uma quantidade ínfima de massa pode se transformar em uma grande quantidade de energia ao se multiplicar pelo quadrado da velocidade da luz (c), que é um número enorme. É o fundamento da energia nuclear e da bomba atômica. E também do brilho das estrelas.

Einstein foi indicado por essa teoria várias vezes desde 1910, mas a academia preferiu esperar que os experimentos elucidassem as dúvidas. Isso ocorreu em 1915, mas então Einstein já havia desenvolvido a relatividade geral, a teoria da gravitação que corrigiu Newton. E esta era ainda mais chocante que a relatividade especial, por isso Estocolmo novamente recuou. Portanto, de certa forma, o físico foi vítima de seu próprio êxito. Mas esse é um assunto sobre o qual os cientistas só abrigam uma dúvida: se Einstein mereceu outros dois prêmios Nobel, ou se foram três.

Alfred Nobel, o inventor dos prêmios – e da dinamite -, deixou escrito em seu testamento que o prêmio de literatura seria concedido a escritores de “tendência idealista”. O comitê levou a frase à risca nos primeiros tempos, e a empunhou para recusar as candidaturas de Tolstói, Twain, Ibsen e Zola. Quando a norma foi relaxada, já estavam todos mortos.

Karel Capek, o grande escritor tcheco da primeira metade do século 20 – e introdutor da palavra “robô” -, provocou as dúvidas do comitê Nobel por suas obras antinazistas dos anos 1930. Os acadêmicos as consideravam demasiado insultantes para o governo alemão. De todo modo, quiseram dar uma oportunidade a Capek, de cujos méritos literários não duvidavam, e lhe pediram para apresentar uma obra menos polêmica. “Obrigado pela intenção”, respondeu Capek, “mas já escrevi minha tese de doutorado”. Ficou sem o prêmio, é claro.

O caso de 1974 em literatura é pouco representativo, mas ainda menos evitável. Vladimir Nabokov, Graham Greene e Saul Bellow foram rejeitados nesse ano para se conceder o prêmio a Eyvind Johnson (“Retorno a Ítaca”) e Harry Martinson (“Urtigas em Flor”), dois escritores muito conhecidos na Suécia, entre outras coisas por serem membros da Academia Sueca.

Não está claro quanto tempo o Nobel poderá resistir com seu esquema atual. Os matemáticos e os paleontólogos sempre se queixaram de que não haja um Nobel para suas disciplinas, mas a lista de agraciados poderá crescer logo para limites insuportáveis. Porque também não há um Nobel de computação, nem de novos materiais, nem de nanotecnologia, nem de climatologia. Nem de cinema, que poderiam ter dado a Ingmar Bergman sem cair no ridículo.

Seminário do Deparamento de Física: Schrödinger & Heisenberg – A Física Além do Senso Comum

•Setembro 30, 2009 • Deixe um comentário

SEMINÁRIO DA PÓS-GRADUAÇÃO / DEPARTAMENTO DE FÍSICA

Título: “Schrödinger & Heisenberg – A Física Além do Senso Comum”

Palestrante: Prof.Dr.Antônio F.R. de Toledo Piza,Instituto de Física,USP

Data: 30/09/2009, (quarta-feira)

Horário: 16h

Local: Sala de Seminários, Bloco 926.

Atenciosamente,
Josué Mendes Filho
Chefe do Departamento de Física
Universidade Federal do Ceará

Hipácia de Alexandria – Mártir da Ciência e do Paganismo

•Setembro 29, 2009 • 1 Comentário

Por ocasião do anúncio de um filme sobre Hipácia de Alexandria, com Rachel Weisz representando-a, decidi republicar uma matéria sobre esta extraordinária cientista.

“Todas as religiões dogmáticas formais são falaciosas e nunca devem ser aceitas como palavra final por pessoas que respeitem a si mesmas.”"Ensinar superstições como uma verdade absoluta é uma das coisas mais terríveis.”

Hipácia foi a última grande cientista de Alexandria. Nasceu em 370 d.C (?) — os historiadores são incertos em diferentes aspectos da vida de Hipácia e a data de seu nascimento é debatida atualmente. Foi filha de Theon, um renomado filósofo, astrônomo, matemático e autor de diversas obras, professor da Universidade de Alexandria.

Durante toda a sua infância, Hipácia foi mantida por seu pai em um ambiente de idéias e filosofia. Alguns historiadores acreditam que Theon tentou educá-la para ser um ser humano perfeito. Hipácia e Theon tiveram uma ligação muito forte e este ensinou a ela seu próprio conhecimento e compartilhou de sua paixão na busca de respostas sobre o desconhecido. Quando estava ainda sob a tutela e orientação do seu pai, ingressou numa disciplinada rotina física para assegurar um corpo saudável para uma mente altamente funcional.

Hipácia estudou na Academia de Alexandria, onde devorava conhecimento: filosofia, matemática, astronomia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica, com grande importância na aceitação e integração das pessoas na sociedade da época, também não foram descuidadas.

No se refere ao campo religioso, ela recebeu informação sobre todos os sistemas de religião conhecidos em sua época, tendo seu pai cuidado para que nenhuma religião ou crença lhe limitasse a busca e a construção do seu próprio conhecimento.

Quando adolescente, viajou para Atenas, para completar sua educação na Academia Neo-platônica, onde logo se fez notar por sua dedicação aos estudos, pelo brilho de sua inteligência e pelo arrojo de suas idéias. Sua fama se espalhou e, ao regressar, já encontrou um emprego esperando por ela: foi convidada a dar aulas no museu de Alexandria, juntamente com aqueles que haviam sido seus mestres.

Hipácia é um marco na História da Matemática que poucos conhecem, tendo sido equiparada a Ptolomeu (85 – 165), Euclides (c. 330 a. C. – 260 a. C.), Apolônio (262 a. C. – 190 a. C), Diofanto (século III a. C.) e Hiparco (190 a. C. – 125 a. C.).

Seu talento para ensinar geometria, astronomia, filosofia e matemática atraía estudantes admiradores de todo o império romano, tanto pagãos como cristãos.

Aos 30 anos tornou-se diretora da Academia de Alexandria. Do seu trabalho, infelizmente, pouco chegou até nós. Alguns tratados foram destruídos com a Biblioteca, outros quando o templo de Serápis foi saqueado. Grande parte do que sabemos sobre Hipácia vem de correspondências suas e de historiadores contemporâneos que dela falaram. Um notável filósofo, Sinesius de Cirene (370 – 413), foi seu aluno e escrevia-lhe freqüentemente pedindo-lhe conselhos sobre o seu trabalho. Através destas cartas ficou-se a saber que Hipácia inventou alguns instrumentos para a astronomia (astrolábio e planisfério) e aparelhos usados na física, entre os quais um hidrômetro.

Sabemos que desenvolveu estudos sobre a Álgebra de Diofanto (“Sobre o Canon Astronômico de Diofanto”), que escreveu um tratado sobre as seções cônicas de Apolônio (“Sobre as Cônicas de Apolônio”) e alguns comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu. E em colaboração com o seu pai, escreveu um tratado sobre Euclides.

Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos que haviam passado meses sendo frustrados por algum problema em especial escreviam para ela pedindo uma solução. E Hipácia raramente desapontava seus admiradores. Ela era obcecada pela matemática e pelo processo de demonstração lógica. Quando lhe perguntavam porque nunca se casara ela respondia que já era casada com a verdade.

A tragédia de Hipácia foi ter vivido numa época de luta entre o paganismo e o cristianismo, com este a tentar apoderar-se dos centros importantes então existentes. Hipácia era pagã, fato normal para alguém com os seus interesses, pois o saber era relacionado com o chamado paganismo que dominou os séculos anteriores e era alicerçado nas tradições de liberdade de pensamento.

O cristianismo foi oficializado em 390 d.C, e o recém nomeado chefe religioso de Alexandria, o bispo Cirilo, dispôs-se a destruir todos os pagãos assim como seus monumentos e escritos.

Por causa de suas idéias científicas pagãs, como por exemplo a de que o Universo seria regido por leis matemáticas, Hipácia foi considerada uma herética pelos chefes cristãos da cidade. A admiração e proteção que o político romano Orestes dedicou a Hipácia pouco adiantou, e acirrou ainda mais o ódio do bispo Cirilo por ela e, quando este tornou-se patriarca de Alexandria, iniciou uma perseguição sistemática aos seguidores de Platão e colocou-a encabeçando a lista.

Assim, numa tarde de 415 d.C, a ira dos cristãos abateu-se sobre Hipácia. Quando regressava do Museu, foi atacada em plena rua por uma turba de cristãos enfurecidos. Arrastada para dentro de uma igreja, foi cruelmente torturada até a morte e ainda teve seu corpo esquartejado (dilacerado com conchas de ostra, ou cacos de cerâmica, consoante as versões existentes) e queimado.

O historiador Edward Gibbon faz um relato vívido do que aconteceu depois que Cirilo tramou contra Hipácia e instigou as massas contra ela: “Num dia fatal, na estação sagrada de Lent, Hipácia foi arrancada de sua carruagem, teve suas roupas rasgadas e foi arrastada nua para a igreja. Lá foi desumanamente massacrada pelas mãos de Pedro, o Leitor, e sua horda de fanáticos selvagens. A carne foi esfolada de seus ossos com ostras afiadas e seus membros, ainda palpitantes, foram atirados às chamas”.

O estúpido episódio da morte de Hipácia é considerado um marco do fim da tradição de Alexandria como centro de ciências e cultura. Pouco depois, a grande Biblioteca de Alexandria seria destruída e muito pouco do que foi aquele grande centro de saber sobreviveria até os dias de hoje.

Enrico Riboni descreve os motivos e as conseqüências dessa ação fanática dos religiosos: “A brilhante professora de matemática representava uma ameaça para a difusão do cristianismo, pela sua defesa da Ciência e do Neo-platonismo. O fato de ela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos. Sua morte marcou uma reviravolta: após o assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do mundo antigo. Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga, senão no início da Revolução Industrial”.

Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, pelo seu lado, mergulhará no obscurantismo da Idade Média, do qual começará a sair somente mais de um milênio depois.

E Carl Sagan nos acrescenta: “Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora à respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido à Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época.”

Veja um trailer do filme:

Seminário do Departamento de Física: Carbon foams from saccharose

•Setembro 28, 2009 • Deixe um comentário

Título: Carbon foams from saccharose
Conferencista: Prof. Juan Matos
Venezuelan Institute for Scientific Research (IVIC)
Local: Sala de Seminários do Depto de Física
Data: 28/09/2009
Horário: 16h

Semana Acadêmica da Computação – UFC

•Setembro 25, 2009 • Deixe um comentário

Anualmente o PET – Computação UFC realiza a Semana Acadêmica da Computação (SAC), promovendo um espaço para a socialização das atividades acadêmicas e para a troca de conhecimento, visando o incentivo à pesquisa na área da Computação. é acreditando na importância desta atividade que o PET – Computação UFC realizará, entre os dias 28 de setembro e 02 de outubro de 2009, a IV SAC.

O evento contará com apresentação de trabalhos dos grupos de pesquisa, participação de grupos convidados, além de diversos mini-cursos que abordarão assuntos como Segurança de Informação e Blender. Haverá ainda, na mesa de abertura, uma discussão com o tema “Computação e o Profissional do Futuro”.

Por esse motivo, o PET – Computação UFC convidou professores e alunos dos grupos de pesquisa do curso (Crab, Pargo, Logia, Great, ARIDA) e grupos relacionados (GPAR – Automação e Robótica, RenorBio – Bio Informárica, GIQ – Computação Quântica) a participarem da IV SAC, apresentando dois trabalhos elaborados pelo grupo, com duração de meia hora cada apresentação, a fim de divulgar resultados obtidos pelo grupo e a importância que ele tem para a sociedade.

Para poder participar dos minicursos, você deve se inscrever AQUI.

Departamento de Física – UFC: Convite de Seminário

•Setembro 23, 2009 • Deixe um comentário

SEMINÁRIO DA PÓS-GRADUAÇÃO / DEPARTAMENTO DE FÍSICA

Título: “Growth, Characterization and Apllication of some important
functional crystals”

Palestrante: Prof.Dr. J.Y.Wang ,State Key Laboratory of Crystal Materials,
Shandong University, China

Data: 25/09/2009, (sexta-feira)
Horário: 16h
Local: Sala de Seminários, Bloco 926.

Obs.: Os salgados serão servidos às 15:30h impreterivelmente.

Atenciosamente,

Josué Mendes Filho
Chefe do Departamento de Física
Universidade Federal do Ceará

Bloqueando sites no Linux editando o /etc/hosts

•Setembro 18, 2009 • Deixe um comentário

Suponha que você queira restringir o uso de certos sites num computador específico, como por exemplo o Orkut ou site da Playboy no Linux, o que você faz? É fácil! Basta editar o arquivo /etc/hosts adicionando ao final do arquivo a linha:

127.0.1.1 dominio.do.site.com.br

Não se esqueça de salvar o arquivo, e voilá! Ninguém mais poderá acessar sites que você não queira!

Wikipetan: A mascote do projeto de Mangá e Anime da Wikipedia

•Setembro 17, 2009 • Deixe um comentário

Eu não sabia, mas se você pensar bem, era algo bem provável de existir. O projeto de Mangá e Anime da Wikipedia tem uma mascote, é a Wikipetan, que parece ser uma “maid”, uma espécie de empregada eu acho. Fizeram até mesmo versões hentai dela, que obviamente, não vou mostrar aqui.